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Web Summit Rio 2026 · Disseminação de Conhecimento
IA & Transformação Cultural

Por que a cultura devora a IA no café da manhã

A maturidade tecnológica não significa nada sem preparação cultural. Mentalidades rígidas, medo de substituição e operações isoladas sabotam silenciosamente a adoção da IA — a disrupção é tecnológica, mas a transformação é humana.

Palestrante: Leandro Angelo Evento: Web Summit Rio 2026 Tema: IA Generativa & Cultura Organizacional
Sobre a apresentação

Tecnologia pronta, cultura despreparada

Por que a maturidade tecnológica não basta para destravar valor com IA

Nesta sessão, Leandro Angelo, sócio e vice-presidente executivo da CI&T para a América Latina, explica por que a maturidade tecnológica não significa nada sem a preparação cultural adequada. Com base em anos de experiência liderando transformações digitais em larga escala na América Latina, Leandro compartilha como mentalidades corporativas rígidas, o medo de substituição e operações isoladas sabotam silenciosamente a adoção da IA — e apresenta um framework prático para mover as organizações da otimização à reinvenção.

Palestrante

Quem apresentou

LA

Leandro Angelo

Partner, EVP & Chief Tech Innovation Officer — CI&T

Com mais de 26 anos em tecnologia, Leandro Angelo lidera a transformação digital, escalando práticas de Agile/DevOps e conduzindo as iniciativas da CI&T em IA e gaming. Possui formação executiva por Harvard e atua como Global CTIO, à frente das operações da CI&T na América Latina.

Resumo executivo

A IA na era da transformação humana

A disrupção é tecnológica; a transformação é humana. Sem relevância cultural, a maturidade tecnológica não se converte em resultado.

5%

Das organizações conseguiam extrair resultados efetivos de seus esforços de transformação (dado MIT)

70%

Dos investimentos em inovação foram para evoluir produtos e clientes existentes — "apostas seguras"

28→9

Meses para desenvolver um projeto: da era pré-digital (28) à era digital ágil (9), antes do salto da IA Generativa

Leandro Angelo no palco do Web Summit Rio 2026
Leandro Angelo durante a apresentação no palco — Web Summit Rio 2026
Resumo da palestra

Da adoção inicial à reinvenção do negócio

Introdução

A palestra aborda o desafio da implementação da IA Generativa nas empresas, destacando que a maturidade tecnológica por si só é insuficiente sem a devida relevância cultural. A partir de dados de mercado e da experiência em transformações digitais na América Latina, Leandro Angelo argumenta que a transformação é, acima de tudo, humana. A apresentação explora por que as empresas falham em extrair o potencial máximo de novas tecnologias, os fatores-chave para o sucesso e um framework prático para guiar as organizações desde a adoção inicial até a reinvenção completa de seus processos de negócio.

Capítulo 1 · O Paradigma da Transformação e a Realidade das Empresas

O palestrante estabelece o contexto da transformação digital, destacando a discrepância entre o potencial da tecnologia e a capacidade das organizações em aproveitá-lo.

1.1. O Fracasso em Extrair Resultados

Citando material do MIT, o palestrante demonstra que apenas 5% das organizações conseguiam extrair resultados efetivos de seus esforços de transformação. A conclusão é clara: "não foi a tecnologia, fomos nós que não funcionamos".

1.2. O Impacto da IA Generativa: Uma Nova Era

A IA Generativa é descrita como uma tecnologia que abre um espaço gigante para adoção. Seu impacto potencial é comparado à combinação dos efeitos da invenção da eletricidade, da internet e do smartphone ocorrendo ao mesmo tempo, o que "destrava possibilidades infinitas".

  • Em 2024, os prêmios Nobel de Física e Química foram entregues a cientistas da computação:
    • Um dos casos envolveu a simulação de uma molécula de proteína para buscar soluções de medicamentos.
    • O outro caso foi a simulação do comportamento de um cérebro humano.
  • Em 2025, o prêmio de Física também foi concedido a pioneiros da computação quântica.

Esses exemplos demonstram como a tecnologia está abrindo possibilidades para o ser humano realizar feitos antes considerados impossíveis.

1.3. A Alocação de Investimentos em Inovação

Citando um estudo pré-pandemia da APA Business School, que acompanhou empresas por 5 anos:

  • 70% dos investimentos: direcionados a evoluir produtos existentes e atender clientes existentes — "save backs" ou "apostas seguras", que mantêm a empresa competitiva, mas não a levam à liderança ou diferenciação.
  • 10% dos investimentos: de fato colocados para capturar o impacto de uma disrupção. Após cinco anos, representaram um terço (1/3) do resultado das vendas.

A conclusão: na prática, as empresas não estão conseguindo extrair o verdadeiro potencial dos investimentos em inovação disruptiva.

Capítulo 2 · Os Cinco Fatores Fundamentais da Transformação

Cinco fatores cruciais influenciam o sucesso ou o fracasso da adoção de tecnologias transformadoras como a IA Generativa.
  • 1. Cultura: os seres humanos estão acostumados a evoluções incrementais, não exponenciais. A mudança gera desconforto e insegurança sobre o futuro do trabalho. A proposta é mudar a semântica: a disrupção é tecnológica, mas a transformação é humana — engajar equipes para que se tornem agentes da transformação, não reféns dela.
  • 2. Estratégia: identificar as alavancas de cada indústria e o que a tecnologia é capaz de fazer pelo negócio específico. Um piloto isolado nem sempre gera resultado no bottom line ou na experiência do cliente final.
  • 3. Processos: a importância de revolucionar os processos, tema aprofundado posteriormente.
  • 4. Tecnologia: como garantir uso seguro de sistemas; como gerir aprendizados e resultados; como orquestrar os aprendizados de múltiplas ferramentas e modelos que continuam surgindo. É preciso uma fundação tecnológica para essa orquestração.
  • 5. Governança: definir quais KPIs a tecnologia deveria estar modificando e quais ponteiros deveriam ser revolucionados. A velocidade da transformação não depende de ter o melhor modelo ou ferramenta, mas da velocidade com que a organização é capaz de aprender.

As perguntas fundamentais: O que eu deveria aprender nesse negócio? O que eu preciso me tornar para que isso funcione de verdade?

Capítulo 3 · Um Framework para a Transformação com IA

Um framework apoiado em três pilares: pessoas, processo e tecnologia.

3.1. Pessoas: A Geração "AI Native"

A transformação começa com as pessoas. É preciso trabalhar a geração "AI Native" — novos talentos que já nascem em um mundo governado por agentes de IA, comparáveis às gerações que nasceram com o smartphone na mão, cujo nível de confiança e capacidade de uso da tecnologia é muito diferente das anteriores.

3.2. Processo: Da Eficiência à Reinvenção

Inicialmente, pode-se plugar ferramentas de IA nos processos atuais, gerando eficiência. Mas o verdadeiro salto ocorre quando se revoluciona o processo — etapas que antes faziam sentido deixam de ser necessárias. É nesse ponto que se começa a reinventar o negócio.

3.3. Tecnologia: A Fundação CI&T Flow

A CI&T criou uma plataforma de fundação chamada "CI&T Flow". Toda interação com modelos e agentes é baseada nessa fundação, o que permite:

  • Entender quem está usando, qual modelo e qual tipo de agente.
  • Analisar o resultado obtido.
  • Monitorar o consumo de tokens.
  • Fazer FinOps para otimizar custos — apontar o uso de um modelo mais simples em vez de um modelo avançado e caro quando não for necessário.

Um exemplo de aplicação especializada foi discutido em março de 2025 com o board do Hospital Albert Einstein, em reuniões com a Microsoft e a AWS: a análise de modelos especializados em imagens, como ressonância magnética, para auxiliar o corpo médico em uma medicina mais preditiva — mostrando que as aplicações vão além dos LLMs generalistas.

Capítulo 4 · O Desafio do Retorno sobre o Investimento (ROI)

A crescente pressão por resultados financeiros concretos a partir dos investimentos em IA.

4.1. A Pressão por Resultados

  • O investimento em IA aumentou de US$ 1,5 trilhão no ano anterior para US$ 3 trilhões neste ano.
  • O custo com consumo de tokens aumentou 400%.
  • Metade dos CEOs acredita que sua posição está em risco se não demonstrarem o ROI da IA.
  • Dois terços dos CEOs sentem pressão clara do board para mostrar o retorno do investimento em IA Generativa.

4.2. Um Framework em Três Passos para Acelerar o ROI

  • Imersão: estabelecer métricas e promover a adoção. As ferramentas são colocadas nas mãos das pessoas para desmistificar a tecnologia e iniciar o reskilling. O foco não é mudar processos, mas integrar as ferramentas no dia a dia.
  • Aceleração: etapas do processo começam a ser resolvidas automaticamente por sistemas de IA, com pessoas (ou outros sistemas de IA) julgando e validando resultados. O processo de negócio já começa a ser modificado.
  • Disrupção: a topologia das equipes muda e novos papéis surgem:
    • AI Orchestrator: desafia o processo atual.
    • AI Engineer: constrói novos agentes em tempo real para resolver desafios.
    • AI Deployer: pega um desafio de negócio e o implementa.

4.3. O Salto Exponencial no Desenvolvimento de Soluções Digitais

O impacto da IA Generativa no desenvolvimento de software é exponencial. O palestrante menciona uma parceria com a Anthropic, com novidades a serem divulgadas na FEBRABAN.

  • Era Pré-Digital: projetos levavam em média 28 meses (ideia, design, desenvolvimento, teste, produção) — dado da análise dos 30 anos de história da CI&T.
  • Era Digital (práticas ágeis): o tempo foi reduzido para 9 meses.
  • Era da IA Generativa: salto significativo. Projetos como modernização de sistemas legados (ex: Cobol em grandes bancos), antes caríssimos e engavetados, tornam-se viáveis. O time to market é drasticamente reduzido.

Capítulo 5 · Níveis de Maturidade e o Caminho para a Liderança

Para alcançar o máximo potencial, não basta ter a tecnologia; é preciso evoluir a maturidade dos times.

5.1. Os Três Níveis de Maturidade da CI&T

  • AI Augmented (2x mais eficiente): a equipe se torna duas vezes mais eficiente para o mesmo projeto. Citado o "Business Complex Points", unidade de medida do tamanho do software desenvolvida com o Itaú e publicada em open source. Um time que gastava 20 horas em uma funcionalidade passa a gastar 10.
  • AI Coordinated (5x mais eficiente): sistemas de IA mais autônomos coordenando várias etapas do ciclo de desenvolvimento. A meta é que toda a operação da CI&T atinja este nível até o final de 2026.
  • Light Houses (20x mais eficiente): operações específicas e experimentais, como a equipe da plataforma de IA, já atingiram eficiência 20 vezes maior, servindo de inspiração para os outros times.

5.2. O Papel da Liderança

  • Estabelecer um objetivo claro.
  • Ter uma plataforma para governar o uso de agentes, ferramentas e consumo de tokens.
  • Investir em re-skilling e capacitação.
  • Implementar governança baseada em métricas com duas óticas: eficiência (custo) e geração de novas receitas (novos negócios).
  • Equilibrar investimentos entre experimentos de curto, médio e longo prazo.
  • Monitorar a inovação continuamente.

Conclusão · Da Otimização à Reinvenção

O palestrante reforça a visão da Forrester, que divide a jornada da IA Generativa em duas grandes eras. A primeira é a da eficiência e produtividade, onde estamos atualmente — automatizando atividades individuais e aprimorando workflows com copilotos e melhorias incrementais.

Existe, porém, um "abismo" para se chegar à segunda era: a da reinvenção. Nela, o processo de negócio é completamente redesenhado, tornando-se nativo de IA. Coisas antes impossíveis se tornam possíveis, e os resultados deixam de ser incrementais para se tornarem exponenciais.

O convite final é para que as lideranças orquestrem ativamente essa transição, movendo suas organizações da otimização para a reinvenção. Como recurso adicional, o palestrante menciona um material publicado junto ao MIT Sloan, detalhando a jornada de transformação interna da CI&T nos últimos três anos.

Citações importantes

Nas palavras do palestrante

Não foi a tecnologia, fomos nós que não funcionamos.
A disrupção é tecnológica, mas a transformação é humana.
A IA Generativa destrava possibilidades infinitas — é como eletricidade, internet e smartphone ao mesmo tempo.
A velocidade da transformação não depende do melhor modelo, mas da velocidade com que a organização aprende.
O objetivo é que as pessoas se tornem agentes da transformação, e não reféns dela.
Existe um abismo entre a era da eficiência e a era da reinvenção — e a liderança precisa orquestrar essa travessia.
Pontos de ação

O que aplicar a partir de agora

1 Tratar cultura como prioridade

Engajar as equipes como agentes da transformação, reduzindo o medo de substituição e quebrando operações isoladas.

2 Definir estratégia por alavancas

Mapear o que a IA pode fazer pelo negócio específico, evitando pilotos isolados sem impacto no bottom line.

3 Revolucionar processos

Ir além de plugar ferramentas: redesenhar etapas que deixaram de fazer sentido para reinventar o negócio.

4 Construir uma fundação tecnológica

Orquestrar modelos e agentes em uma plataforma (ex: CI&T Flow) com visibilidade de uso, resultados e FinOps.

5 Governar por métricas

Definir KPIs a serem modificados, com duas óticas: eficiência (custo) e geração de novas receitas.

6 Aplicar o framework de ROI

Imersão → Aceleração → Disrupção, evoluindo da adoção à criação de novos papéis (Orchestrator, Engineer, Deployer).

7 Investir em reskilling

Preparar a geração "AI Native" e capacitar os times existentes para operar com agentes de IA.

8 Evoluir a maturidade dos times

Avançar de AI Augmented (2x) para AI Coordinated (5x) e inspirar-se nas Light Houses (20x).

9 Cruzar o abismo para a reinvenção

Mover a organização da era da eficiência para a era da reinvenção, com processos nativos de IA.

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Áudio da palestra

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Gravação completa

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Arquivo: apoio/9_Cultura_IA.mp3
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