A maturidade tecnológica não significa nada sem preparação cultural. Mentalidades rígidas, medo de substituição e operações isoladas sabotam silenciosamente a adoção da IA — a disrupção é tecnológica, mas a transformação é humana.
Por que a maturidade tecnológica não basta para destravar valor com IA
Nesta sessão, Leandro Angelo, sócio e vice-presidente executivo da CI&T para a América Latina, explica por que a maturidade tecnológica não significa nada sem a preparação cultural adequada. Com base em anos de experiência liderando transformações digitais em larga escala na América Latina, Leandro compartilha como mentalidades corporativas rígidas, o medo de substituição e operações isoladas sabotam silenciosamente a adoção da IA — e apresenta um framework prático para mover as organizações da otimização à reinvenção.
Com mais de 26 anos em tecnologia, Leandro Angelo lidera a transformação digital, escalando práticas de Agile/DevOps e conduzindo as iniciativas da CI&T em IA e gaming. Possui formação executiva por Harvard e atua como Global CTIO, à frente das operações da CI&T na América Latina.
A disrupção é tecnológica; a transformação é humana. Sem relevância cultural, a maturidade tecnológica não se converte em resultado.
Das organizações conseguiam extrair resultados efetivos de seus esforços de transformação (dado MIT)
Dos investimentos em inovação foram para evoluir produtos e clientes existentes — "apostas seguras"
Meses para desenvolver um projeto: da era pré-digital (28) à era digital ágil (9), antes do salto da IA Generativa
A palestra aborda o desafio da implementação da IA Generativa nas empresas, destacando que a maturidade tecnológica por si só é insuficiente sem a devida relevância cultural. A partir de dados de mercado e da experiência em transformações digitais na América Latina, Leandro Angelo argumenta que a transformação é, acima de tudo, humana. A apresentação explora por que as empresas falham em extrair o potencial máximo de novas tecnologias, os fatores-chave para o sucesso e um framework prático para guiar as organizações desde a adoção inicial até a reinvenção completa de seus processos de negócio.
Citando material do MIT, o palestrante demonstra que apenas 5% das organizações conseguiam extrair resultados efetivos de seus esforços de transformação. A conclusão é clara: "não foi a tecnologia, fomos nós que não funcionamos".
A IA Generativa é descrita como uma tecnologia que abre um espaço gigante para adoção. Seu impacto potencial é comparado à combinação dos efeitos da invenção da eletricidade, da internet e do smartphone ocorrendo ao mesmo tempo, o que "destrava possibilidades infinitas".
Esses exemplos demonstram como a tecnologia está abrindo possibilidades para o ser humano realizar feitos antes considerados impossíveis.
Citando um estudo pré-pandemia da APA Business School, que acompanhou empresas por 5 anos:
A conclusão: na prática, as empresas não estão conseguindo extrair o verdadeiro potencial dos investimentos em inovação disruptiva.
As perguntas fundamentais: O que eu deveria aprender nesse negócio? O que eu preciso me tornar para que isso funcione de verdade?
A transformação começa com as pessoas. É preciso trabalhar a geração "AI Native" — novos talentos que já nascem em um mundo governado por agentes de IA, comparáveis às gerações que nasceram com o smartphone na mão, cujo nível de confiança e capacidade de uso da tecnologia é muito diferente das anteriores.
Inicialmente, pode-se plugar ferramentas de IA nos processos atuais, gerando eficiência. Mas o verdadeiro salto ocorre quando se revoluciona o processo — etapas que antes faziam sentido deixam de ser necessárias. É nesse ponto que se começa a reinventar o negócio.
A CI&T criou uma plataforma de fundação chamada "CI&T Flow". Toda interação com modelos e agentes é baseada nessa fundação, o que permite:
Um exemplo de aplicação especializada foi discutido em março de 2025 com o board do Hospital Albert Einstein, em reuniões com a Microsoft e a AWS: a análise de modelos especializados em imagens, como ressonância magnética, para auxiliar o corpo médico em uma medicina mais preditiva — mostrando que as aplicações vão além dos LLMs generalistas.
O impacto da IA Generativa no desenvolvimento de software é exponencial. O palestrante menciona uma parceria com a Anthropic, com novidades a serem divulgadas na FEBRABAN.
O palestrante reforça a visão da Forrester, que divide a jornada da IA Generativa em duas grandes eras. A primeira é a da eficiência e produtividade, onde estamos atualmente — automatizando atividades individuais e aprimorando workflows com copilotos e melhorias incrementais.
Existe, porém, um "abismo" para se chegar à segunda era: a da reinvenção. Nela, o processo de negócio é completamente redesenhado, tornando-se nativo de IA. Coisas antes impossíveis se tornam possíveis, e os resultados deixam de ser incrementais para se tornarem exponenciais.
O convite final é para que as lideranças orquestrem ativamente essa transição, movendo suas organizações da otimização para a reinvenção. Como recurso adicional, o palestrante menciona um material publicado junto ao MIT Sloan, detalhando a jornada de transformação interna da CI&T nos últimos três anos.
Não foi a tecnologia, fomos nós que não funcionamos.
A disrupção é tecnológica, mas a transformação é humana.
A IA Generativa destrava possibilidades infinitas — é como eletricidade, internet e smartphone ao mesmo tempo.
A velocidade da transformação não depende do melhor modelo, mas da velocidade com que a organização aprende.
O objetivo é que as pessoas se tornem agentes da transformação, e não reféns dela.
Existe um abismo entre a era da eficiência e a era da reinvenção — e a liderança precisa orquestrar essa travessia.
Engajar as equipes como agentes da transformação, reduzindo o medo de substituição e quebrando operações isoladas.
Mapear o que a IA pode fazer pelo negócio específico, evitando pilotos isolados sem impacto no bottom line.
Ir além de plugar ferramentas: redesenhar etapas que deixaram de fazer sentido para reinventar o negócio.
Orquestrar modelos e agentes em uma plataforma (ex: CI&T Flow) com visibilidade de uso, resultados e FinOps.
Definir KPIs a serem modificados, com duas óticas: eficiência (custo) e geração de novas receitas.
Imersão → Aceleração → Disrupção, evoluindo da adoção à criação de novos papéis (Orchestrator, Engineer, Deployer).
Preparar a geração "AI Native" e capacitar os times existentes para operar com agentes de IA.
Avançar de AI Augmented (2x) para AI Coordinated (5x) e inspirar-se nas Light Houses (20x).
Mover a organização da era da eficiência para a era da reinvenção, com processos nativos de IA.
Gravação realizada com Plaud. Pressione play para ouvir diretamente na página.
Arquivo: apoio/9_Cultura_IA.mp3