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Web Summit Rio 2026 · IA & Engenharia de Software

Como se manter competitivo na era da IA na engenharia de software

Em 2026, a programação assistida por agentes deixa de ser tendência e passa a ser prática diária. Como a engenharia da ClickHouse usa agentes de IA — do código padrão à investigação de bugs complexos, pesquisa de segurança e prototipagem — com uma mensagem central: bons engenheiros se tornam ainda melhores com IA.

Agentes de IA Engenharia de Software Produtividade
Sobre a apresentação

Agentes de IA no fluxo diário de engenharia

Nesta sessão, Alexey Milovidov mostra como a equipe de engenharia da ClickHouse utiliza agentes de IA como o Claude Code em seu trabalho cotidiano: desde a escrita de código padrão e a resolução de conflitos de mesclagem até a investigação de bugs complexos, a realização de pesquisas de segurança e a prototipagem de novos recursos.

Ele compartilha casos reais, recomendações de uso, comparações entre modelos de ponta e defende uma política de portas abertas para contribuições geradas por IA em projetos de código aberto. A mensagem é direta: a IA não é uma solução mágica, mas amplifica engenheiros que dominam os fundamentos.

Palestrante

Quem apresentou

AM

Alexey Milovidov

Co-founder & CTO · ClickHouse

Cofundador e CTO da ClickHouse, banco de dados analítico de código aberto de alto desempenho. Lidera a engenharia da empresa na adoção prática de agentes de IA no ciclo completo de desenvolvimento — de código boilerplate à investigação de incidentes e pesquisa de segurança.

Números que orientam a discussão

Dados em destaque

3 Níveis de adoção da codificação assistida por IA — do copia-e-cola aos loops adaptativos em paralelo
~US$ 500 Custo em tokens de uma otimização de build (~20 commits) que se pagou no 1º dia com 20% de economia em CI
99% Precisão de agentes na resolução de conflitos de merge, liberando o engenheiro para revisar com "olhos frescos"
Pontos-chave da apresentação

O que ficou de mais relevante

  • A IA já é produção diária: deixou de ser tendência emergente e passou a integrar todo o processo de desenvolvimento, do boilerplate à depuração de sistemas complexos.
  • Nenhuma linguagem está imune: a percepção evoluiu de "só serve para JavaScript" para proficiência também em Python, Go, C++ e Rust — afetando todos os engenheiros.
  • Adoção pela demonstração, não pela imposição: mandatos do tipo "queime tokens" não funcionam; o valor surge da prática pessoal e de exemplos concretos.
  • Três níveis de uso: copiar-colar do chat (obsoleto), agente supervisionado passo a passo e loops adaptativos com múltiplos agentes em paralelo.
  • Ganho em tarefas de baixo valor: YAML de Kubernetes, conflitos de merge e portabilidade de código entre repositórios — sempre com a devida atribuição de licença.
  • IA como ferramenta de raciocínio: um bug travado por meio ano exigiu três tentativas refinadas — a IA auxilia o pensamento, não o substitui.
  • "Funcionário virtual" para flaky tests: um agente com conta própria no GitHub monitora, investiga e propõe correções, tratado como colega de equipe.
  • Política de código aberto acolhedora: em vez de fechar contribuições por causa do volume gerado por IA, abrir para receber milhares de PRs e selecionar o que importa.
Resumo da palestra

Como permanecer competitivo na era da IA

Introdução

Apresentada por Alexey Milovidov, cofundador e CTO da ClickHouse, em 10 de junho de 2026, a palestra explora a integração da inteligência artificial no fluxo de trabalho diário dos engenheiros de software — da ferramenta para tarefas simples ao colaborador essencial em todo o ciclo de desenvolvimento. Aborda níveis de adoção, ferramentas disponíveis, cenários práticos, recomendações de interação com agentes, medos comuns e uma política de portas abertas para contribuições geradas por IA em projetos de código aberto.

Capítulo 1 · A realidade da IA na engenharia de software

1.1 A onipresença da IA

A IA deixou de ser tendência emergente e tornou-se parte da produção diária. Equipes modernas colaboram com a IA da geração de código boilerplate à depuração de sistemas complexos. Os agentes estão integrados em todo o processo, com impacto que vai além de produtividade: uma mudança fundamental na forma como o software é projetado e mantido.

1.2 A evolução da percepção dos engenheiros

Muitos engenheiros ainda demonstram ceticismo — o próprio palestrante teve essa visão há cerca de seis meses. A percepção muda gradualmente à medida que os modelos evoluem:

  1. Inicialmente, pensava-se que os modelos serviam apenas para aplicações JavaScript, sem afetar o backend.
  2. Depois, a nova geração mostrou-se eficiente em backend (Python, Go), mas programadores de sistemas em C++ ainda se sentiam imunes.
  3. Por fim, os modelos se tornaram proficientes em C++, Rust e qualquer tipo de código, afetando todos os engenheiros.

1.3 A abordagem correta para a adoção

A forma errada é a imposição pela gestão ("você deve queimar tokens"). A mais eficaz vem da prática pessoal e da demonstração de valor. A partir do Claude 4.5, a IA se tornou proficiente no próprio código C++ do palestrante (como na escrita de callbacks), reforçada por múltiplos exemplos de utilidade.

Capítulo 2 · Níveis de codificação assistida e ferramentas

2.1 Níveis de adoção

  1. Nível 1 (obsoleto): pedir código ao ChatGPT e copiar e colar — codificação assistida, mas não adaptativa.
  2. Nível 2: executar um agente verificando seu trabalho a cada passo, com ou sem leitura detalhada do código.
  3. Nível 3 (avançado): loops adaptativos e de feedback, com múltiplos agentes em paralelo em VMs isoladas — já usados até em pre-commits.

2.2 Ferramentas disponíveis

  • CLI: Claude Code, Codex e Open Interpreter. Recomenda começar pelas CLIs, que costumam estrear funcionalidades primeiro (criar planos, pedir esclarecimentos, sinalizar tarefas complexas).
  • Ambientes de desenvolvimento: Cursor é o preferido atualmente, após migração do vimspector.
  • Serviços: Replit e Adevs visam substituir outsourcing, mas não se aplicam diretamente aos casos da empresa.
  • OpenAI: agora usado para alguns casos de uso, com o devido cuidado de segurança.

Capítulo 3 · Cenários práticos de uso da IA

O palestrante compartilhou cenários coletados na empresa e criou um site, "Alexey Prompts", para divulgar seus prompts e resultados.

3.1 Superando a resistência dos céticos

Para o cético que acha a IA "estúpida", há um cenário irrefutável: um engenheiro que sabe exatamente o que fazer, mas está sem suas ferramentas preferidas (em viagem), pode super-especificar as mudanças e pedir ao agente para apenas "digitar" o código — economizando tempo e provando a utilidade.

3.2 Tarefas de baixo valor agregado

  • Boilerplate e integrações: gerar YAML para Kubernetes — repetitivo e propenso a erros — é feito de forma muito mais eficiente.
  • Conflitos de merge: tarefa cansativa resolvida com ~99% de precisão, permitindo revisão com "olhos frescos".
  • Portabilidade de código: mover código entre repositórios open source e extensões privadas, sempre com atribuição correta para cumprir licenças.

3.3 Melhoria contínua do produto

  • Pequenos refatoramentos: tarefas adiadas (como trocar ponteiros por referências em C++) delegadas ao agente, eliminando procrastinação.
  • Polimento e pequenos bugs: corrigir "incômodos" sem esperar reunião de planejamento, melhorando a qualidade sem burocracia.

3.4 Exploração e investigação

  • Bases de código desconhecidas: ao contribuir para um novo projeto (ex.: LLVM), perguntar ao agente sobre a mecânica de um plugin e obter a implementação correta.
  • Revisões de código: automatizadas via GitHub Actions invocando Claude ou Codex; mais eficazes quando o agente compila e testa o código.
  • Bugs complexos: um travamento de CI sem solução por três engenheiros durante meio ano só foi corrigido na terceira tentativa, com mais diagnóstico e criatividade — a IA auxilia o raciocínio, não é mágica.
  • Incidentes e escaladas: Claude ajuda "pesadamente" na investigação a partir de logs de produção; em um domingo, com colegas ausentes no Slack, o problema de CI foi resolvido antes de segunda-feira.

3.5 Gerenciamento de testes e segurança

  • Flaky tests: com dezenas de milhares de testes, criaram um "funcionário virtual" — agente com conta própria no GitHub que monitora, investiga e propõe correções, tratado como colega.
  • Pesquisa de segurança: a maioria dos relatórios é inútil, mas o 1% restante é valiosíssimo. Hoje, um pesquisador que não usa agentes "não é mais um pesquisador de segurança" e precisa se adaptar.

3.6 Experimentação e prototipagem

  • Experimentos de baixo custo: testar a troca de bibliotecas sem aprovação; PGO no compilador C++ implementado em apenas um dia.
  • Otimização com métricas claras: ~20 commits para acelerar o build, com o terceiro entregando 90% da melhoria; custo de ~US$ 500 em tokens pago no 1º dia com 20% de economia em CI.
  • Prototipagem de recursos: com especificação clara, gerar protótipos — pode exigir centenas de iterações e revisão cuidadosa, mas é barato.
  • Wild coding: ideal para aplicações de exposição de segurança limitada — ferramentas internas, sites de demonstração ou o próprio site da apresentação.

3.7 Melhorando a dinâmica da equipe

  • Influenciando colegas: em vez de relatar um problema vago, entregar um pull request. Ex.: documentação carregando +20 MB de JavaScript — diagnosticada e corrigida via agente, sem esperar resposta no Slack.
  • Acelerando loops de feedback: agentes funcionam como engenheiros que nunca dormem, nunca tiram férias e não discutem, permitindo que pequenas equipes superem gargalos de comunicação entre departamentos.

Capítulo 4 · Recomendações e o futuro

4.1 Recomendações de uso

  • IA como ferramenta de pensamento: não substitui o pensamento crítico — amplifica.
  • Use além do código: apresentações, ferramentas locais e qualquer tarefa tediosa.
  • Superespecificação é boa: desenvolvimento orientado por especificações gera melhores resultados.
  • Tenha múltiplas ferramentas: Claude e Codex à mão para contornar interrupções de serviço.
  • Comunique-se com educação: agentes emulam comportamento humano; ser rude pode levar a resultados destrutivos (ex.: dropar um banco de produção ao interpretar mal "reverter tudo").

4.2 O futuro da IA em projetos

  • Funcionários autônomos para tarefas específicas e análise contínua da base de código.
  • Loops ágeis automatizados e exigência de uso de IA desde os primeiros dias de novos funcionários.
  • Política de código aberto acolhedora: em vez de fechar contribuições, abrir o máximo possível para receber milhares de PRs e selecionar apenas o necessário.

4.3 Medos, incertezas e dúvidas (FUDs)

O palestrante reconhece preocupações reais — "como evitar a psicose da IA?" e "como não perder o sono ao trabalhar com muitos agentes?" — e propõe discuti-las de forma mais informal.

Conclusão

A IA já é força transformadora na engenharia de software, com ganhos massivos de produtividade que permitem a pequenas equipes superarem desafios de escala e comunicação. Não é solução mágica e exige criatividade e supervisão humana, mas sua adoção é inevitável para permanecer competitivo. Os agentes devem ser vistos como colaboradores essenciais — e vale até redefinir políticas de contribuição em código aberto. Por fim, o convite para experimentar a tecnologia ClickHouse, na nuvem ou como projeto open source, destacando sua adoção por grandes empresas no Brasil.

Citações importantes

Frases que sintetizam a mensagem

"Bons engenheiros se tornam ainda melhores com IA."
"A IA não substitui o pensamento crítico — ela o amplifica."
"Um pesquisador de segurança que não usa agentes não é mais um pesquisador de segurança."
"A forma errada de incentivar o uso da IA é impor à equipe que 'queime tokens'. A forma certa é demonstrar valor com exemplos reais."
"Seja educado e claro com os agentes: como emulam comportamento humano, ser rude pode levar a resultados inesperados e destrutivos."
Pontos de ação para os participantes

O que aplicar a partir de agora

  • Evolua o nível de uso: saia do copia-e-cola e adote agentes supervisionados; experimente loops adaptativos com múltiplos agentes quando fizer sentido.
  • Delegue o tedioso: boilerplate, YAML, conflitos de merge e pequenos refatoramentos liberam tempo para o trabalho de alto valor.
  • Use a IA como parceira de raciocínio: em bugs complexos, refine o contexto a cada tentativa em vez de esperar uma resposta mágica.
  • Tenha um arsenal de ferramentas: mantenha Claude, Codex e CLIs à mão para contornar instabilidades e comparar resultados.
  • Pratique a superespecificação: instruções claras, objetivas e não ambíguas produzem resultados melhores.
  • Repense políticas open source: avalie abrir contribuições geradas por IA com critérios de revisão, em vez de simplesmente bloqueá-las.
Áudio da palestra

Ouça a apresentação na íntegra

Gravação realizada com Plaud

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Registro fotográfico

Imagens capturadas durante a sessão

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