A World Surf League no Brasil evoluiu de uma competição de praia para uma plataforma global de impacto midiático, empresarial e cultural — onde dados, inovação e propósito impulsionaram a transformação, expandindo o público, elevando o engajamento e atraindo grandes parcerias de marcas.
Nesta sessão, Ivan Martinho (Presidente da WSL América Latina) e Maurício Toledo (Executivo de Marketing ao Vivo e Patrocínios do Banco do Brasil), em conversa mediada por Nathália Gomes (Lance!), exploram como dados, inovação e propósito transformaram a World Surf League no Brasil. O debate percorre a desconstrução da narrativa de "esporte de nicho", a evolução de liga esportiva para plataforma global de relacionamento, o papel do patrocínio integrado ao ecossistema e o impacto social e regional gerado pelo esporte.
Autor, podcaster, colunista e professor de marketing esportivo. Possui formação pela FAAP, ESPM, FDC, Kellogg e Harvard. Atua como conselheiro em iniciativas de impacto social e entretenimento, com passagens por empresas como Ambev, Vivo, FOX e T4F.
Executivo do Banco do Brasil, lidera patrocínios e marketing ao vivo, com foco em inovação e negócios.
Jornalista há dez anos, com experiência em esportes e forte presença no mundo digital. Atualmente é editora-adjunta do Lance!.
Visão geral. A sessão debateu a transformação do surf de um esporte de nicho para uma plataforma global de conteúdo, entretenimento e engajamento de marcas. Por meio do diálogo entre a WSL América Latina e o Banco do Brasil, os palestrantes abordaram como decisões estratégicas ousadas, parcerias comerciais robustas e uma visão de longo prazo reposicionaram o surf como um dos esportes mais relevantes do cenário brasileiro e mundial.
Ao chegar à WSL em 2019, Ivan Martinho encontrou um portfólio de patrocinadores composto quase exclusivamente por marcas de surfwear em declínio e uma patrocinadora principal em recuperação judicial. A percepção de "esporte de nicho" precisava ser desconstruída para atrair parceiros de grande porte. A WSL adotou a mudança como estratégia central, baseando-se na curva de mudança de Kübler-Ross, que descreve a negação como primeira reação humana diante de transformações.
A WSL deixou de se posicionar apenas como organizadora de competições para se tornar uma plataforma global de relacionamento, produção de conteúdo e geração de experiências. Hoje realiza 125 eventos por ano, incluindo o maior evento de surf do mundo, em Saquarema (RJ), que em 2025 movimentou R$ 178 milhões na economia local e reuniu 410 mil pessoas.
O Banco do Brasil enxergou na WSL uma oportunidade de rejuvenescer sua base de clientes, conectar-se com o público jovem e associar a marca a sustentabilidade, diversidade regional e protagonismo esportivo. A parceria, iniciada em 2022 e renovada até 2028, vai além da visibilidade: o banco está presente no ecossistema completo do surf, do desenvolvimento de atletas à promoção de experiências.
O Circuito Banco do Brasil de Surf expandiu os eventos para regiões historicamente sub-representadas, como o Nordeste, oferecendo a atletas a partir de 12 anos a chance de competir e construir carreira. O surf atua como agente de transformação social, gerando empregos para fotógrafos, árbitros, equipes de alimentação e segurança, e colocando cidades como Saquarema no mapa internacional — incluindo uma matéria no New York Times.
Com oito títulos mundiais em 11 anos, o Brasil consolidou-se como a maior potência do surf competitivo. A hegemonia é sustentada pela estrutura de formação de novos talentos e pelo financiamento viabilizado pelas parcerias comerciais.
Ambos os palestrantes convergem: o patrocínio moderno não se limita à exposição de marca. O valor está na integração com o ecossistema do esporte — estar no aplicativo do Banco do Brasil (acessado por 20 milhões de pessoas diariamente), no intervalo do Jornal Nacional e em eventos ao vivo amplia o alcance de ambas as marcas.
"Se todo mundo continuar com essa percepção de que o surf é um esporte de nicho, a gente nunca vai conseguir convencer os maiores bancos do Brasil, com 216 anos de história, a patrocinar algo de nicho."
"A história de você ter um patrocínio para só aplicar a marca já acabou há muito tempo."
"A WSL deixou de ser uma modalidade, um evento televisionado, e passou a ser uma plataforma global de relacionamento."
"Esporte de alto rendimento não acontece sem dinheiro."
"Se você abre o aplicativo do Banco do Brasil, você se depara com o surfista. É para que você comece a construir a ideia de que o esporte está em todos os lugares."
Arquivo: apoio/Video_WSL.mp4 · Duração: 1min57s
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